W&W – Protocolo Watch & Wait

 

 

Câncer de Reto : Preservação de Órgão – Isto já é possível?

Nas publicações científicas acerca do tratamento do câncer de reto, observam-se os mesmos níveis de morbimortalidade relacionados ao complexo manejo desta patologia, normalmente caracterizado pelo risco relacionado ao procedimento cirúrgico em si (mortalidade cirúrgica), assim como sequelas do procedimento (ostomias, disfunção sexual e urinária, LARS – Síndrome da Ressecção Anterior Baixa) e que causam grande impacto na redução da qualidade de vida do paciente.

 

 

 

Neste contexto, na década de 90, ocorre o início das investigações sobre o conceito da preservação de órgão realizada pela brasileira Dra Angelita Haber Gama, denominado W&W (Watch and Wait) – observação vigilante. Inicialmente, foi bastante criticado devido a falta de adequada avaliação por estudos científicos de boa qualidade e, agora avaliado por vastas publicações em todo o mundo, apresenta-se como uma possibilidade real na pratica clínica de centros de tratamento de câncer colorretal que contam com equipes multidisciplinares (MDT’s) capacitadas para conduzir, de maneira adequada, pacientes candidatos a receber este tipo de tratamento, ou seja, realizar tratamentos locais com RT, quimioterapia e/ou ressecções locais com o intuito de evitar a cirurgia de remoção do reto e todas as complicações relacionadas ao procedimento.

Quem é candidato ao Protocolo W&W?

Pacientes com tumores de reto, principalmente os que apresentam lesões mais baixas e que identifica-se a possibilidade de permanecer com colostomia definitiva. Também, em pacientes de tratamento convencional, que seja possível detectar um número muito maior de complicações e sequelas.

Para pacientes que desejam submeter-se a este tipo de intervenção, o primeiro passo é recorrer a um centro especializado no tratamento de câncer colorretal. Sendo que todas as explanações a respeito das possibilidades do protocolo de W&W devem ser instruídas pela equipe de Coloproctologistas, Oncologistas Clínicos e Radioterapeutas.

A equipe multidisciplinar, de acordo com a condição clínica do paciente e estadiamento da doença, pode estabelecer opções de tratamento, como a ressecção local com combinações escalonadas de Radioterapia e Quimioterapia, com o objetivo de alcançar o que define-se como “Resposta Clínica Completa”, e que, no âmbito prático, caracteriza-se pelo desaparecimento completo da lesão tumoral (por exame clinico, endoscópico e radiológico), com variação em 15 a 40% dos pacientes, que podem ser os possíveis candidatos ao  protocolo de W&W.

Qual a chance de cura?

Dos pacientes que conseguem obter “Resposta Clínica Completa”, aproximadamente cerca de ¾ (75%) apresentam chances de não serem submetidos ao tratamento cirúrgico. Já os demais ¼ (25%) dos pacientes podem apresentar recrescimento da lesão durante o período de acompanhamento.

Conclusão

Embora seja uma opção recente de tratamento muito atrativa, é necessária uma boa interação entre o paciente e a equipe médica, a fim de obter um melhor resultado.